Cultura
"Lição de humildade" na primeira conferência da Davi Kopenawa em Lisboa
O Cabo da Roca, ponto mais ocidental da Europa continental, recebeu o encontro entre uma investigadora portuguesa das Ciências Sociais e Davi Kopenawa, xamã e líder espiritual do povo Yanomami.
Davi Kopenawa: o xamã e líder do povo indígena yanomami, no Brasil, deu esta semana a sua primeira conferência em Lisboa, na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas (FCSH). Foi a convite do Instituto de Comunicação da Universidade Nova (ICNOVA).
A vice-coordenadora do ICNOVA, Maria do Carmo Piçarra, que esteve no evento, refere a presença de alguém que domina dimensões do conhecimento que, nas sociedades ocidentais, já se perderam: "É um tremendo privilégio ouvir um sábio, um xamã como ele, que domina dimensões do conhecimento que nós, cientistas sociais, políticos, não dominamos. Ele tem acesso a dimensões do conhecimento que nós não temos".
Com o maior auditório da NOVA FCSH completamente cheio (com mais de duzentos lugares), a organização conseguiu abrir mais duas salas onde, através de streaming, dezenas de pessoas puderam seguir o encontro.
Antes disso, Davi Kopenawa visitou o Cabo da Roca, no Parque Natural de Sintra-Cascais, a convite da investigadora Maria do Carmo Piçarra. Aí, o líder do povo Yanomami deixou um entendimento único sobre aquele local: "Senti que ele se comoveu e disse-me que, quando fez o seu percurso de aprendizagem para se tornar um xamã, já tinha caminhado por ali, já tinha caminhado naquelas linhas entre a Terra e o Mar. E disse-me que aquilo era um olho do mundo, onde os ventos nos limpam, nos lavam de todas as coisas negativas e dos espíritos negativos que tantas vezes pairam sobre nós e as nossas cabeças. Explicou também que o papel do xamã, o papel de alguém como ele, é continuar a manter equilíbrios ecológicos".
Na tarde de 21 de outubro na NOVA FCSH, o eixo da sessão era a epistemologia Yanomami, abordando a forma como os sonhos funcionam como uma escola para a produção de conhecimento verdadeiro e orientação de vida. O debate explorou visões alternativas de relação com a natureza, em resposta à crise climática global.
Davi Kopenawa (1956, Amazonas) é um dos mais importantes líderes políticos do povo Yanomami, e uma das vozes indígenas mais reconhecidas internacionalmente, na defesa da Amazónia e dos direitos dos povos originários. Lidera, desde 1980, a resistência contra o garimpo ilegal no Brasil, e a destruição ambiental em terras indígenas.
A vice-coordenadora do ICNOVA, Maria do Carmo Piçarra, que esteve no evento, refere a presença de alguém que domina dimensões do conhecimento que, nas sociedades ocidentais, já se perderam: "É um tremendo privilégio ouvir um sábio, um xamã como ele, que domina dimensões do conhecimento que nós, cientistas sociais, políticos, não dominamos. Ele tem acesso a dimensões do conhecimento que nós não temos".
Com o maior auditório da NOVA FCSH completamente cheio (com mais de duzentos lugares), a organização conseguiu abrir mais duas salas onde, através de streaming, dezenas de pessoas puderam seguir o encontro.
Antes disso, Davi Kopenawa visitou o Cabo da Roca, no Parque Natural de Sintra-Cascais, a convite da investigadora Maria do Carmo Piçarra. Aí, o líder do povo Yanomami deixou um entendimento único sobre aquele local: "Senti que ele se comoveu e disse-me que, quando fez o seu percurso de aprendizagem para se tornar um xamã, já tinha caminhado por ali, já tinha caminhado naquelas linhas entre a Terra e o Mar. E disse-me que aquilo era um olho do mundo, onde os ventos nos limpam, nos lavam de todas as coisas negativas e dos espíritos negativos que tantas vezes pairam sobre nós e as nossas cabeças. Explicou também que o papel do xamã, o papel de alguém como ele, é continuar a manter equilíbrios ecológicos".
Na tarde de 21 de outubro na NOVA FCSH, o eixo da sessão era a epistemologia Yanomami, abordando a forma como os sonhos funcionam como uma escola para a produção de conhecimento verdadeiro e orientação de vida. O debate explorou visões alternativas de relação com a natureza, em resposta à crise climática global.
Davi Kopenawa (1956, Amazonas) é um dos mais importantes líderes políticos do povo Yanomami, e uma das vozes indígenas mais reconhecidas internacionalmente, na defesa da Amazónia e dos direitos dos povos originários. Lidera, desde 1980, a resistência contra o garimpo ilegal no Brasil, e a destruição ambiental em terras indígenas.